Exame toxicológico da CNH: quem é obrigado em 2026 (agora inclui carro e moto), prazos e multa
Atualizado em: junho de 2026
Aviso: conteúdo informativo. As regras são nacionais, mas a implementação por categoria e estado pode variar — confirme no Detran/Senatran antes de iniciar seu processo.
Por anos, o exame toxicológico foi “coisa de caminhoneiro”. Não é mais: uma mudança de 2026 estendeu a exigência para a primeira habilitação de carro e moto, e quem ignora os prazos nas categorias profissionais leva uma das multas mais caras do trânsito — aplicada automaticamente, sem precisar ser parado em blitz. Veja exatamente quem precisa fazer, quando, e o que acontece se não fizer.
O que é o exame toxicológico de larga janela
É um teste laboratorial feito a partir de cabelo, pelo ou unha (não sangue ou urina), capaz de detectar o uso de substâncias psicoativas por um período prolongado — de 90 a 180 dias. A coleta é feita em laboratórios credenciados pela Senatran, e a análise é interna ao fio, então higienizar antes não altera o resultado. O objetivo é flagrar uso recorrente de drogas que comprometam a direção.
Quem é obrigado a fazer (a lista mudou em 2026)
Categorias C, D e E (motoristas de veículos pesados): a obrigação é antiga e ampla. O exame é exigido na primeira habilitação, na renovação, na mudança/adição de categoria e de forma periódica. Pela Lei 14.599/2023, vale mesmo que o condutor use a CNH apenas para fins particulares — basta ter a categoria C, D ou E.
Categorias A e B (moto e carro) — a novidade: com a Lei 15.153/2025 (cuja ampliação foi confirmada após o Congresso derrubar o veto), o toxicológico passou a ser exigido também na primeira habilitação das categorias A e B. Em vigor desde meados de 2026, a regra obriga todo novo candidato a carro ou moto a apresentar resultado negativo antes de concluir o processo. A mesma exigência vale para reabilitação.
Atenção a quem já tem CNH A ou B: pela leitura predominante das normas, quem apenas renova a habilitação A/B comum não é alcançado pela nova exigência — ela mira a primeira habilitação. Como há divergência sobre a extensão futura a outras situações, confirme a regra vigente no seu Detran/Senatran antes de renovar.
De quanto em quanto tempo (categorias C, D e E)
Além de fazer na primeira habilitação e na renovação, o motorista profissional deve repetir o exame periodicamente, a cada 2 anos e 6 meses (para condutores com menos de 70 anos). É esse exame periódico “no meio da validade” que mais gera multa — porque muita gente nem sabe que ele existe.
A multa de balcão: cara e automática
Não fazer o exame periódico no prazo é infração gravíssima (art. 165-D do CTB), com:
- Multa elevada — na faixa de R$ 1.467,35 (gravíssima multiplicada);
- Suspensão do direito de dirigir;
- Aplicação automática (“multa de balcão”): o sistema do Detran cruza os dados dos laboratórios e lança a penalidade 30 dias após o vencimento do prazo, independentemente de o motorista ser parado em fiscalização.
E no momento da renovação, sem o exame em dia, o processo das categorias C, D e E fica bloqueado até a apresentação do laudo.
O que acontece se der positivo
- Primeira habilitação (A/B ou C/D/E): o processo não avança até a apresentação de um novo exame negativo — na prática, é preciso aguardar o tempo necessário para a substância ser eliminada (em geral, ao menos 90 dias);
- Renovação (C/D/E): sem laudo negativo, a renovação não se completa, e a CNH fica pendente.
Onde e como fazer
- Procure um laboratório credenciado pela Senatran (a lista costuma estar no site do Detran e dos laboratórios);
- Leve documento com foto e CPF;
- A coleta de cabelo/pelo é rápida; o resultado é enviado diretamente ao sistema nacional, integrando-se ao seu processo;
- Acompanhe a validade no app CNH do Brasil (a antiga Carteira Digital de Trânsito), que informa a data do último exame e quando vence o próximo.
Como não ser pego de surpresa
- Motorista C/D/E: anote a data do próximo periódico (2 anos e 6 meses) e ative as notificações no app — a multa de balcão não avisa, ela simplesmente cai;
- Vai tirar a primeira CNH de carro ou moto: já inclua o toxicológico no planejamento e nos custos do processo;
- Não vai mais dirigir pesado? Rebaixar a CNH para a categoria B encerra a obrigação do periódico — uma saída para quem tirou C/D/E e não usa mais.
Perguntas frequentes
Raspei a cabeça. Como fazem o exame? Usa-se pelo de outras partes do corpo; em casos excepcionais, unha. A ausência de cabelo não isenta ninguém.
Medicamento controlado pode dar positivo? Pode acusar substâncias; por isso, informe ao laboratório o uso de medicamentos com prescrição — o laudo considera o contexto.
Quanto custa? É pago ao laboratório credenciado e o valor varia por região e por janela de detecção (pelo costuma custar mais que cabelo).
Tenho CNH B e vou tirar a categoria A (moto). Preciso do toxicológico? A exigência nova alcança a primeira habilitação nessas categorias; adições e mudanças seguem as regras da Senatran — confirme no seu Detran, pois é exatamente o tipo de situação em transição.
Fontes oficiais: Código de Trânsito Brasileiro (art. 165-D) • Lei nº 14.599/2023 • Lei nº 15.153/2025 • Senatran • app CNH do Brasil